Diretorias financeira e de RSE: uma aliança estratégica
No Groupe Roullier, o desempenho financeiro e o impacto sustentável são gerenciados em conjunto sob a liderança de Florie Guillon, Diretora de Responsabilidade Social Empresarial (RSE), e Delphine Haigron, Diretora Administrativa e Financeira (DAF).
Os departamentos de RSE e DAF do Grupo trabalham em estreita colaboração. Que objetivos vocês buscam em comum?
Florie Guillon / No Grupo, estamos convencidos de que o desempenho de uma empresa deve ser considerado de forma global, medindo-o e garantindo sua durabilidade ao longo do tempo. Cumprir essas condições é uma maneira de assegurar nosso modelo no longo prazo. Vários projetos contribuíram para isso em 2025. Desde aqueles que empreendemos para fortalecer a resiliência das nossas operações, como o lançamento da abordagem de compra responsável ou o mapeamento da exposição das unidades aos riscos climáticos, até às oportunidades de negócios geradas pelo lançamento de produtos com alto valor agregado ambiental e a medição de seus impactos. Não podemos esquecer que, para muitos setores agrícolas, atores agroalimentares e da grande distribuição, assuntos voltados à responsabilidade social – e, em particular, ao impacto do carbono – estão virando critérios de seleção. Atender às suas expectativas alinhando-se a trajetórias ambiciosas desde o início da cadeia é, portanto, um grande desafio, tanto estrategicamente quanto em termos de negócios.
Delphine Haigron / O desempenho geral de que Florie falou pressupõe uma estratégia de RSE definida com precisão, apoiada em meios seguros e numa gestão rigorosa. É em torno desses pontos que se articula o diálogo entre as duas diretorias. Enquanto a Florie e a sua equipe determinam os compromissos do Grupo pensando nos impactos e riscos extrafinanceiros, a DAF coloca em perspectiva as decisões de investimento, as prioridades orçamentárias e os indicadores de acompanhamento da trajetória. Resumindo: trazemos nossa leitura financeira para transformar uma ambição climática em decisões concretas e mensuráveis.
Em quais grandes projetos vocês intervieram em conjunto em 2025?
F. G. / Um dos principais projetos foi estabelecer uma boa governança para garantir a gestão da estratégia de RSE. Também recrutamos uma Responsável de Relatórios Extra-financeiros, vinculada à Diretoria Financeira, cujo papel é tornar os dados de RSE do Grupo confiáveis e usá-los como uma verdadeira frente de ação para a tomada de decisões nos negócios.
D. H. / Também colaboramos na segurança dos recursos. Uma das iniciativas em andamento visa definir um plano de investimentos para orientar os esforços do Grupo em matéria de descarbonização. Para aumentar esse orçamento de carbono, pedimos às várias diretorias industriais que avaliem seus projetos de redução das emissões. À medida que os elementos se consolidam, aprimoramos coletivamente as escolhas e, em função disso, ajustamos os meios financeiros.
Como essa dinâmica iniciada no nível central é ampliada às filiais?
F. G. / A RSE desempenha um papel determinante para o sucesso na implementação da agenda Ambição 2030. É por isso que os objetivos de RSE da nova estratégia 2026–2030 serão integrados às linhas de ação de cada um dos nossos negócios. O engajamento das equipes passará tanto pelo compartilhamento de uma direção estratégica clara quanto pela responsabilização dos consultores locais, a fim de adaptar a implementação às suas realidades, assegurando uma gestão estruturada e devidamente instrumentada.
D. H. / O modo de organização em dupla RSE e DAF foi transposto a todas as filiais. As diretorias financeiras atuam localmente para responsabilizar as entidades pela identificação, coleta e validação de dados extra-financeiros. Trata-se de treinar e sensibilizar as equipes para que tenham as ferramentas necessárias para responder, em seu papel de responsáveis, às solicitações de informações que possam vir dos stakeholders. Em um grupo internacional como o nosso, manter a coerência das diretrizes é essencial para alinhar as práticas.
Em 2025, o Grupo assinou seu primeiro empréstimo de impacto. Isso deve ser visto como o reconhecimento dos compromissos do Grupo com o desenvolvimento sustentável?
D. H. / Esse tipo de financiamento é baseado em indicadores extra-financeiros mensuráveis e verificáveis. Ou seja, nosso desempenho geral passa a ser um elemento contratual, com um impacto potencial nas condições financeiras que nos são propostas. É uma forma muito concreta de reconhecimento.
F. G. / Para além do aspecto simbólico, o empréstimo obtido marca um ganho de credibilidade, um alinhamento entre finanças e estratégia sustentável e fortalece a responsabilização.
Quais são os principais desafios financeiros e de RSE do Grupo para os próximos anos?
F. G. / Uma série de transformações já em andamento serão aprofundadas para consolidar a RSE como um motor de inovação e diferenciação e acelerar a descarbonização das nossas atividades, garantindo os meios necessários para essa transição, a fim de conciliar a ambição ambiental e o desempenho econômico.
D. H. / Outro desafio será gerenciar de maneira eficaz o quadro regulatório, que está em constante evolução, incluindo a diretiva europeia CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) que passará a se aplicar a nós a partir de 2028, com base no exercício de 2027. A abordagem vai além do relatório, pois também toca o cerne dos nossos projetos de transformação. Como a adaptação às mudanças climáticas nas unidades do Grupo, para a qual vamos desenvolver nossas competências de forma conjunta, com a formalização de planos de transição. Um trabalho aprofundado será iniciado. Mais uma vez, DAF e RSE atuarão lado a lado!